Nossa sociedade atual não é fundamentalmente diferente das antigas culturas. Cada uma delas é dominada por seu próprio conjunto de ídolos. Cada um tem seus templos - sejam eles torres empresariais, spas, academias, estúdios ou estádios - onde sacrifícios tem de ser feitos para que as bençãos da boa vida sejam obtidas e os desastres sejam evitados.
Quais são os deuses da beleza, do poder, do dinheiro, e do sucesso, se não os que assumiram proporções míticas em nossa vida individual e em nossa sociedade? Podemos não ajoelhar diante da estátua de Afrodite, mas muitas jovens de hoje são levadas a depressão e disfunções alimentares por uma preocupação obsessiva com a imagem. Podemos não queimar incenso a Artêmis, mas quando o dinheiro e a carreira são elevadas a proporções cósmicas, realizamos algo como um verdadeiro sacrifício de crianças, negligenciando a família e a comunidade para conquistar um lugar mais elevado no mundo empresarial e angariar mais riquezas e prestígio.
Há uma estranha melancolia que assombra os habitantes ... no meio da abundância". (Alexis de Tocqueville - séc XIX). Essa sociedade acredita que a prosperidade e o êxtase podem saciar sua fome de felicidade, mas a história tem demonstrado ser ilusória; as alegrias incompletas deste mundo que transforma um ser criado a imagem e semelhança de Deus num objeto de consumo, nunca satisfarão o coração humano. Essa melancolia se manifesta de muitas formas, mas sempre leva ao mesmo desespero de não se encontrar o que se procura.
Qual é a causa dessa "estranha melancolia" que permeia nossa sociedade mesmo em tempos de explosão de atividade frenética, e que se transforma em imediato desespero quando a prosperidade e o êxtase acabam? Tocqueville diz que ela vem do ato de tomar uma "alegria incompleta dessa mundo" e construir a vida inteira em torno dela. Esta é a definição de idolatria.
Ernest Becker, que ganhou o Prêmio Pulitzer por seu livro The Denial of Death (A negação da morte), explicou as várias formas pelas quais pessoas sem religião lidaram com a perda da crença em Deus. Agora que acreditamos estar aqui por acidente e não ter sido feitos para a realização de um propósito, como fazemos para instilar um senso de significado em nossa vida? Uma das principais formas é o que Becker chamou de "romance apocalíptico". Nós nos voltamos para o sexo e o romance para que nos devolvam a transcendência e o senso de significado que costumávamos extrair da fé em Deus. A parceira romântica torna-se o ideal divino pelo qual uma pessoa pode preencher a vida.
Todas as necessidades morais e espirituais agora são focalizadas em um indivíduo. Em uma palavra. o objeto do amor é deus. O Homem procura por um "tu" quando morreu a cosmovisão da grande comunidade religiosa dirigida por Deus revelado em Cristo Jesus. Afinal de contas, o que é que queremos quando colocamos o parceiro na posição de Deus? Queremos redenção para desfrutar de um ambiente de justiça, alegria e paz.
Olhando para essa realidade que a sociedade vive com o olhar profético revelado nas Escrituras Sagradas, sou exortado com o alerta do próprio Deus: "Jesus respondeu: “O erro de vocês está em não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus." (Marcos 12:24)

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